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Avatar de Bordas da Alma

Márcio, adorei o conto, há algo de hipnótico na forma como você transforma um dia banal em mapa de constelações silenciosas, fiquei com o coração enroscado na palavra "sobrei". Ela carrega uma densidade quase palpável, como se todo o texto girasse em torno dessa pausa. O que me provoca é pensar que “sobrar” não é só ficar para trás, às vezes é também resistir ao roteiro esperado, existir fora da cronologia que os outros definem.

Quando você descreve a avó crocheteando, prevendo a chuva, guardando receitas e silêncios, sinto que o tempo ali é outro: um tempo circular, onde o passado não termina e o futuro não começa, apenas se repete em gestos de cuidado. E talvez o “sobrar” seja a coragem de habitar esse tempo próprio, mesmo que doa.

Me peguei lembrando das minhas avós (uma que já se foi), das histórias que não fizeram questão de contar. Será que a gente, na ânsia de registrar tudo, não perde justamente o que elas souberam guardar?

O que você acha? existe uma forma de escutar essas vidas para além do que elas permitem dizer, ou o silêncio também é uma escolha que merece ser respeitada?

Avatar de Graziela Roberta da Silva

Sempre tão perspicaz e sensível...

A eterna mania dos "mais adultos" que nós (principalmente as mulheres) de sempre acharem que nao fazemos como eles as coisas... Perfeccionismo, mas também talvez uma vontade de assim demonstrar cuidado

cuidado

Parece um filme pra mim...

Descrever cenas com as palavras

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